Aracy Balabanian desabafa: “O público parece que está mandando mais no trabalho da gente do que a gente mesmo”

Aracy Balabanian
Aracy Balabanian

Aracy Balabanian está empolgada com sua nova personagem em Ligações Perigosas, nova minissérie que estreou na Globo na segunda-feira (04). Em uma conversa com o Observatório da Televisão, a renomada atriz falou de seu retorno à tevê e de seu encontro profissional com Selton Mello. “Estamos nos conhecendo. Ficando! (risos). A recíproca é verdadeira. Além de excepcional ator, é uma delícia de pessoa”, relatou a cultuada atriz, que tem mais de 50 anos de carreira.

Confira o papo:

Conte-nos um pouco desse trabalho?


“Olha, é baseado em um romance mais clássico da literatura do século 18, transformado em dois belos filmes, pelo menos que eu vi. A série tem um incrível texto. Adaptado pela competente Manuela Dias. Eu acho que Ligações Perigosas, tem um dos elencos mais primorosos que eu tive o prazer de trabalhar. Um dos. Eu estou dizendo, pois já trabalhei com elencos primorosíssimos. Foi um trabalho delicioso de fazer. E, me fez ter vontade de fazer mais e mais. Eu estava quase desistindo. É um trabalho cheio de sutilezas interpretativas. Que há muito tempo não se vê. Eu acho que vocês vão gostar muito.”

Como surgiu o convite para participar da série?

“O convite partiu dos diretores Denise Saraceni e Vinícius Coimbra; resolveram arriscar (risos) e me chamaram para interpretar essa personagem deliciosa que é a Consuelo.”

A série é baseada no livro do escritor Pierre Choderlos de Laclos. O que mais encanta você na obra nesse artista?

“A prosa e a atemporalidade da história; funciona em qualquer época.”

Como foi a composição para criar a Consuelo?

“Basicamente reli o romance, assisti a diferentes versões já feitas e pesquisei a época em que a série se passa. As leituras do texto que fizemos, típicas de montagens teatrais, também foram fundamentais, assim como a preparação corporal, o figurino, etc.”

Quem é a Consuelo?

“Eu sou a matriarca daquela família. Eu sou tia-avó, apaixonada pelo personagem do Selton Mello. Que é o meu sobrinho-neto, a quem a minha personagem dedica toda a sua vida e o resto de sua vida. Ele já é o herdeiro dela. Mas ela o quer sempre perto dela. Eu quero ele e a felicidade dele sempre a minha volta. É uma atração muito bonita.”

Você comentou que estava desistindo da carreira. O que a convenceu voltar?

“A começar pelo texto. Segundo lugar direção. E, o elenco que é primoroso. Uniu tudo de bom. E, me deu vontade de trabalhar. E, parece que valeu a pena. Eu tive o enorme prazer em participar. E, ultimamente a gente não está tendo muito prazer mais, né? O público parece que está mandando mais no trabalho da gente do que a gente mesmo. Enfim. Eu sou muito telespectadora, então, eu digo isso até com um certo conhecimento. O público dar mais palpite do que ele está vendo, do que se deixar ver. Ele não deixa. Não assiste. Ele dar palpite no segundo capitulo. Quer mudar tudo. Enfim, o trabalho foi extremamente compensador.”

A senhora tem vontade de voltar a fazer humor?

“Alias, acho que agora a gente só pode fazer humor. Do jeito da situação do país. Eu acho que mais dramático impossível. Então, cabe a nós, atores, fazermos humor. E, não eles (políticos). Os palhaços lá. Ao invés de ficar resolvendo os problemas do país, estão fazendo palhaçada. Um dando na cara do outro. Até Telecatch. Então, nós que devemos fazer humor. E, não eles. Se eu fosse convidada para fazer humor, eu faria agora (risos).”

Recentemente, a senhora fez o remake do Sai de Baixo, e, no fim do ano estreou o remake da Escolinha do Professor Raimundo. A senhora gostou dessa nova formação?

“Eu achei maravilhoso! Eu já tinha visto no canal Viva. É um primor. Impossível à gente imaginar os jovens atores dando um show. O Bruno Mazzeo eu conheço desde os 10 anos. Sei que ele é incrível: escreve, canta e representa. Eu achei fantástico! Eu vi três episódios e amei.”

O lúdico ainda encanta?

“Eu acho que só o lúdico que vale a pena. O resto é bobagem. As pessoas já não pesam. As pessoas já não tem cultura. As pessoas não têm nada. Vivemos para o lúdico. Imediatamente vivemos para o lúdico. É o lúdico que encanta. É só isso.”

Selton Mello relatou que está apaixonado por você! Como está sendo essa troca?

“Estamos nos conhecendo. Ficando! (risos). A recíproca é verdadeira. Além de excepcional ator, é uma delícia de pessoa. Ele é um sonho de pessoa. Eu me lembro dele garoto. Ele é um gênio.”

Como foi o clima nos bastidores?

“Adorável! Entre tapas e beijos, nos amamos muito. Tivemos sorte!”

Em 2015, a Rede Globo comemorou seus 50 anos. Qual foi a sua novela preferida e por quê?

“Corrida do Ouro foi minha novela preferida na emissora. Éramos oito protagonistas e o clima do elenco foi um dos melhores que já participei.”

Além da série, você tem outros projetos para 2016?

“Estou estudando alguns textos para o teatro.”

As grandes histórias são eternas. A senhora assistiu aos Dez Mandamentos?

“Eu assisti aos Dez Mandamentos, e fiquei encantada. É tão bom! Um monte de coisa que eu não tinha percebido na Bíblia e descobri assistindo a novela. Eu acho que eu não li a Bíblia direito. Sempre há tempo.”

A senhora comentou que os valores estão se invertendo. A senhora acha que essas pessoas estão se levando a sério? Você se leva a sério?

“Nem um pouco. Eu só sou muito séria no meu trabalho. Respeito muito o meu trabalho e as pessoas com as quais eu trabalho. Eu não me levo a sério não. E, acho que as pessoas também não estão se levando a sério. Estão grudadas o dia inteiro nesses aparelhos celulares, falando com almas do outro mundo. Não sabem nem com quem estão falando. O Facebook virou o ser principal de várias pessoas. Você não conhece essas pessoas e acaba trocando intimidades. Enfim…”

A senhora não usa nenhuma rede social?

“Eu só uso o WhatsApp. Só aprendi por causa de minha afilhada. A gente sempre conversa por esse aplicativo.”

Você pretende parar de trabalhar?

“Por enquanto não. O meu trabalho é o meu grande estimulo de vida. Deus vai resolver isso.”

No ano passado, perdemos grandes atrizes. A senhora acha que o país está mais pobre artisticamente?

“Você quer me deixar triste, né? O meio artístico e o Brasil empobreceram bastante. O Brasil está perdendo grandes sensibilidades, grandes cabeças, grandes inteligências, grandes atores, grandes escritores, grades diretores. Eu acho que nós tivemos grandes perdas fundamentais. E, acho que não estou vendo substitutos chegando não.”

O que o público pode esperar de Ligações Perigosas?

“Um trabalho requintado, amoroso. Uma joia delicadamente lapidada.”

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André RomanoPor André Romano
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